Blog do Paulo Sampaio

Histórico

Meninas da alta sociedade fazem aula de dança sensual para requebrar como Anitta e Rihanna

Paulo Sampaio

21/07/2017 04h00

São quase 2oh de uma quinta-feira em São Paulo, as baladas ainda não começaram, mas a jovem, linda e rica Sofia Derani, 25 anos, está pronta para rebolar até o chão. De legging, moletom e tênis, ela aguarda na fila para entrar em uma casa noturna chamada Beco, onde um grupo grande de mulheres toma aulas de twerk. Trata-se de uma dança que “foca no quadril”, abusa de movimentos pélvicos e exige um certo aquecimento para ser executada. Tornou-se  muito famosa quando divas do pop norte-americano como Beyoncé, Rihanna e Miley Cyrus a incluíram na coreografia de seus clipes. Anitta foi no embalo.

Foto: Divulgação

Com a fachada pintada de preto, o acabamento propositalmente rústico e uma portinha lateral, o Beco integra o corredor de clubes que hoje compõe o chamado Baixo Augusta. Até poucos anos atrás,  aquela região era frequentada majoritariamente por garotas de programa. Elas se ofereciam na rua e também nos inferninhos que, com a recente especulação imobiliária, sofreram adaptações para virar baladas.  “Recebi uma educação religiosa, rígida, repressora, e por isso tinha dificuldade de me soltar”, diz Sofia, que perdeu a vergonha.

Idealizado pela empresária Mariana Eva Leis, idade não revelada, o projeto Workout é semanal.  Cada aula de twerk custa R$ 25,  leva uma hora e reúne de 50 a 100 alunas —  o que é bastante, quando se leva em conta uma classe do gênero nas academias. Apesar do preço módico, muitas das frequentadoras são tão jovens, lindas e ricas quanto Sofia. “Aqui está lotado de patricinhas que chegam de motorista e passam férias em Ibiza e Saint Tropez. Essas meninas não têm  um lugar onde possam rebolar até o chão, sacudir o corpo à vontade, brincar. Elas são julgadas o tempo todo”, afirma Mari.

No Beco, que tem 400 metros quadrados, ela mantém a atmosfera de balada, com salão cheio, som alto e luzes piscantes. O encantamento de Mari com o formato das aulas em casas noturnas aconteceu quando passou uma temporada em Nova York: “A primeira vez em que estive em um lugar desses, pensei: ‘Como assim?'”. Atriz e dançarina, ela voltou dos Estados Unidos com a ideia fixa de montar algo naqueles moldes em São Paulo. “Faltava escolher a dança. Queria algo pop. O twerk tinha a ver com o funk, com o Brasil, e estava em alta.”

Aulas particulares

Enquanto entrega o cartão black para o pagamento, na porta, Sofia diz que sai das aulas se sentindo segura de si, empoderada, “mais mulher”: “Sei rebolar, sei dançar, sei deixar um homem louco!”, gargalha. Ela tomou tanto gosto pelo twerk que arregimentou quatro amigas para aprender a dança em aulas particulares com a professora Mia Oroni, 28, a mesma do Workout. Todas as terças-feiras, cada uma paga R$ 40 para sensualizar na casa de uma delas.

Sofia Derani, ao centro de calça roxa, reúne as amigas Luiza Ciasca, Carolina Guedes, Marilia Zurita e Estella Defant para as aulas com a professora Mia Onori. (Foto: Marcelo Justo)

As moças comemoram os bons resultados: “Todos os namorados nos agradecem por fazermos essas aulas”, dizem, rindo muito. Além de Sofia, a precursora, que já faz aulas na Beco há um ano, o grupo é composto pela empresária Luiza Ciasca, 26; a economista Carolina Guedes, 26; as universitárias Marília Zurita, 22, e Estella Defant, 24, que estudam arquitetura e administração na Fundação Armando Álvaro Penteado (Faap). “Tudo farinha do mesmo saco”, diz Sofia, referindo-se ao elevado padrão sócio-econômico do grupo.

O aquecimento é com hip hop. As alunas inclinam o tronco para a frente, esticam os braços até a ponta dos pés, voltam, encolhem os ombros, soltam. Apesar de a temperatura ter baixado consideravelmente naquele dia, e os termômetros marcarem 8 graus na rua, as moças começam a se sentir aquecidas na sala de ginástica do prédio de “arquitetura neoclássica” onde mora Sofia. Aos poucos, elas se desfazem dos agasalhos e ficam apenas de legging e top.

Mia as orienta a empinar o quadril, girar, encaixar. Elas embalam ao som da trilha de black music. Flexionam as pernas abertas, abaixam com as mãos nos joelhos, rodam o pescoço; rabos de cavalo voam pra lá e pra cá. Mia diz (num crescendo): “Um, dois, três; (mais rápido): um, dois, três; (mais ainda): um, dois, três”. Tremedeira ritmada de glúteos. Entre uma música e outra, Sofia oferece garrafinhas de água Bonafont. A professora explica que nas aulas particulares ensina a técnica. “Aí, na balada de quinta, elas se soltam à vontade”, diz.

Bate cabelo

A maior parte das moças ali não possuía noção de dança, até se dedicar ao twerk. “Por ser alta, não tenho muita desenvoltura”, acredita Marília Zurita, 1,76m, pela alva, blush discreto. “Mas agora não preciso mais beber antes das aulas de quinta-feira”. Luiza Ciasca diz que melhorou muito com as lições particulares. “De repente, você tá fazendo o quadradinho de oito sem perceber”, diz ela, referindo-se à coreografia do grupo carioca de funkeiras Bonde das Maravilhas.

(Foto: Marcelo Justus)

As cinco reafirmam a teoria de Mari Leis, segundo a qual o ambiente delas é mais moralista: “Hoje, as pessoas do nosso círculo social começaram a relaxar, mas o DJ só coloca funk, por exemplo, no final do casamento”, conta Luiza. “Odeio música de playboy”, diz Sofia. “Nas minhas festas, não espero ninguém ficar bêbado para tocar hip hop”. Estella afirma que sempre se sentiu “travada”e precisava de algum aditivo para se soltar: “Agora, já chego batendo cabelo”, conta ela.

No fim, a conversa desemboca em revelações inesperadas. Estella diz que é cantora de ópera: “Dei uma ‘stoppada’ (do verbo em inglês to stop, parar) porque estou focando no TCC”, explica. Ela conta que se mantém solteira desde que terminou um relacionamento com o zagueiro Lyanco, que jogava pelo São Paulo e agora está no Torino. Sofia revela que está fazendo curso de tiro. “São quatro horas de aula”, explica. “Fiz o teste para tirar o CR (certificado de tiro outorgado pelo Ministério do Exército), e disparei dez tiros em 40 segundos; só um ficou entre a marcação (de alvo) 9 e 10. Acertei 90%.” No caso das aulas de tiro, que são ministradas na Avenida São João, centro de São Paulo, nenhuma amiga a acompanha: “Procurei o curso porque acho importante saber atirar”, diz Sofia, que acumula ainda o posto de líder da nova geração de patronos do Museu de Arte de São Paulo (Masp). No dia anterior, ela convidou um grupo de amigos para acompanhar uma visita guiada pela exposição de obras do pintor pós-impressionista Toulouse Lautrec (1864-1901).

Depois do twerk, três das cinco meninas se encaminham para um culto evangélico. Já na calçada do prédio, Sofia, Marilia e Estella acionam o uber para levá-las até uma Igreja Batista Deus é Fiel. Mais uma vez, foi Sofia quem catequizou as amigas…

Sobre o autor

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

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