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Histórico

Para Paulo Maluf, suposto tríplex de Lula é uma porcaria: "São três Minha Casa, Minha Vida"

Paulo Sampaio

05/05/2017 12h39

As acusações de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio de um tríplex no Guarujá (SP) são  “pura mesquinharia”.  A opinião é do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), em entrevista ao blog na última quarta-feira: “Aquilo não é um tríplex, são três Minha Casa, Minha Vida, um em cima do outro. Dona Marisa, coitada, que Deus a tenha, passaria o dia subindo e descendo escada. Da cozinha para a sala, da sala para o banheiro, do banheiro para o quarto…”

Muito solidário, Maluf coloca um imóvel no Guarujá à disposição de Lula: “Eu tenho uma casa de frente para o mar, com cinco suítes. É dele. Você acha que o Lula precisa daquele BNHzinho (tríplex)? Aquele sítio em Atibaia é outra porcaria. Quem foi presidente durante oito anos, elegeu duas vezes sua sucessora, não precisa daquela miséria”, acredita.

Deputado Paulo Maluf (Foto: Flavio Florido/UOL)

De acordo com reportagem publicada ontem pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, o ex-diretor da OAS Roberto Moreira Ferreira afirmou ao juiz Sérgio Moro que o tríplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá, estava “reservado” para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mês passado, o ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, afirmou que o imóvel é de Lula. Em agosto do ano passado, quando concluiu o relatório a respeito da Operação Triplo X, a Polícia Federal indiciou Nelci Warken como dona do tríplex no condomínio. Lula e a família não foram indiciados.

Dinheiro para marketeiro, não uso pessoal

Para fundamentar seu ponto de vista, Maluf afirma que “Lula é uma pessoa do bem, honrada”. “Se ele arrecadou dinheiro foi pra pagar marketeiro, não para uso pessoal. E o marketeiro é pago para diminuir o custo da campanha. Quem vai vender casa para pagar campanha?”

Ele próprio gosta de dizer que mora há 40 anos na mesma casa. O imóvel fica no Jardim América, cujo IPTU é o maior de São Paulo, e ocupa quase um quarteirão. Maluf oferece pousada ao ex-presidente  em outras de suas propriedades: “Eu convido o Lula para passar um tempo em uma das fazendas da Eucatex (empresa de chapas, pisos e tintas da família Maluf)”.

Ou dá, ou desce

O deputado se diz radicalmente contra o que ele chama de “extorsão premiada”. “Não é que o sujeito vai lá e delata. Ele está na prisão. Ou delata, ou fica lá. Isso é coação. Quando eu tinha 18 anos e pegava uma menina na Avenida Paulista, dizia para ela: ‘Ou dá, ou desce!’ Hahahahaha!”

Dilma é uma santa e quem bate panela na janela é imbecil

Apesar de ter votado pelo impeachment de Dilma Rousseff, Paulo Maluf diz que nunca bateu panela na janela durante os pronunciamentos da ex-presidente: “Não bati porque não sou imbecil.”

A respeito da rejeição a Dilma e da queixa frequente dos petistas de que Lula e ela são vítimas de perseguição por parte da elite, Maluf afirma: “Eu sou elite e não os persigo.”

Ele acredita que a ex-presidente é “uma santa”.  “Nunca locupletou, vive de sua aposentadoria.” Diz que votou pela saída dela por causa da crise na economia. “A questão com a Dilma foi a má gestão e a perda de controle da situação. Mudava o ministro, mas não resolvia o problema.”

Sexo na Capela Sistina

Para Maluf, quando a economia vai bem, “permite-se até que um Bill Clinton receba sexo oral no salão oval da Casa Branca”. “Imagine: aquilo para os americanos é um santuário. É como se o Papa fizesse sexo na Capela Sistina”, compara.

“Quando a Sylvia quer um brinquinho de aniversário, me pede licença, eu dou”

Setenta mil dólares em um dia! Duzentos mil reais! O deputado se espanta com a quantia gasta em compras por Cláudia Cruz, mulher do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Preso em Curitiba (PR), ele é investigado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. “A senhora do Cunha, assim como a do Sergio Cabral (ex-governador do Rio), fizeram gastos acima dos sinais aparentes de riqueza de seus maridos. Só em compras, a do Cunha gastou US$ 70 mil! Minha mulher, Sylvia, para comprar um brinquinho, me pede licença. Eu digo: ‘Ok’ toma aqui US$ 8 mil. Presente de aniversário.”

Pode-se imaginar o baque sofrido no ano passado por Maluf e a mulher, quando a Justiça francesa confiscou 1,8 milhão de euros que estavam em contas deles, além de impor multas no valor de 500 mil euros. O deputado, dona Sylvia e o filho Flávio foram condenados pela 11ª Câmara do Tribunal Criminal de Paris pelo crime de lavagem de dinheiro em território francês. De acordo com a sentença, o dinheiro lavado tinha origem em corrupção e desvio de recursos públicos no Brasil. O tribunal parisiense determinou que os mandados de captura internacional já expedidos contra eles fossem mantidos.

Maluf se orgulha de não constar da lista de políticos citados nas delações premiadas da empreiteira Odebrecht. “Por que em 150 delações não veio o nome do Maluf? Porque era tudo mentira.” O deputado também foi indiciado pela procuradoria de Nova York por suspeita de desvio de recursos na construção da Avenida Roberto Marinho – antiga Água Espraiada. Segundo o procurador Roberto Morgenthau, ele pode ter arrecadado U$ 120 milhões em propina. Maluf nega tudo.

Deputado Paulo Maluf (Foto: Flavio Florido/UOL)

Adega com 3 mil garrafas

Mas agora que está impedido de deixar o país, como será que o deputado faz para abastecer sua famigerada adega de vinhos? “Veja, não se toma um bom bordeaux com menos de 20 anos. Eu estou com 85, não devo viver até os 105.”

Maluf afirma que comprar o vinho já com 20 anos seria impraticável. “Em vez de US$ 100, US$ 200, a garrafa custaria US$ 2000. E eu trazia cinco, dez caixas no avião.” De qualquer maneira, o deputado diz que bebe no máximo uma garrafa por mês, em dias frios, se houver um amigo para acompanhá-lo. “São 12 por ano.” Ele diz que sua adega tem 3 mil garrafas. “Eu levaria 200 anos para beber tudo.”

“Quem reclama da reforma da previdência é o rico”

Defensor da reforma na previdência social, o deputado acredita que é uma rematada tolice dizer que “quem paga o pato” é a parcela mais pobre da população: “A indignidade da aposentadoria é o funcionalismo público. Um ministro do supremo fica 5 anos no cargo e vai pra casa ganhando o integral. Quem está reclamando da reforma é o rico! Claro! Não quer perder o benefício!”

Nesse contingente de “ricos”, ele inclui o ex-policial militar que opera em sua segurança: “O Marcão era PM e fazia um ‘bico’ pra mim. Aí, resolveu se aposentar aos 49 anos. Ganha R$ 5 mil. Ele está aí fora, pergunta para ele…”

O deputado, que está com a audição bastante comprometida, mudou de assunto quando se deu a ele o exemplo do cidadão que começou a trabalhar com 12 anos, e agora está com a idade de Marcão — algo comum no Brasil.

Aposentadoria, não! Salário de deputado é maior

Maluf afirma que abriu mão da própria aposentadoria “por questões morais”.  De acordo com o portal da transparência da Câmara dos Deputados, seu nome consta do rol de aposentados. A assessoria de imprensa informa que, como ele ainda está no exercício do mandato, pode escolher entre receber a aposentadoria, ou o salário de deputado — que é maior. Os assessores dizem que, em casos assim, dificilmente um parlamentar opta pelo menor valor. No INSS, a assessoria afirma que as informações relativas a segurados “são sigilosas”.

Pelas contas de Maluf, o presidente Michel Temer tem direito a três aposentadorias. “Como procurador geral do Estado de São Paulo, ele ganha R$ 30 mil; como deputado, outros R$ 30; e como presidente da República, quando se aposentar, mais R$ 30. Só aí ele leva R$ 90 mil pra casa”, calcula o deputado. “Eu quero que ele viva mais 50 anos. Não vai viver. Mas dona Marcela vai…”

A reportagem só conseguiu checar a primeira aposentadoria de Temer, tirada aos 55 anos, pela qual ele ganha R$ 30 mil.

Correndo atrás de bandido

Depois da entrevista, Marco Antônio Pereira Santos, o Marcão, confirmou ter se aposentado aos 49 anos. Mas um outro segurança, que estava por perto e não quis se identificar, mandou o recado: “O que ele (Maluf) não sabe é que o Marcão correu atrás de bandido por mais de 30 anos.”

Sobre o autor

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

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