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Blog do Paulo Sampaio

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O marido a liberou para traí-lo, quando soube que o "outro" era uma mulher

Paulo Sampaio

05/06/2019 04h11

 

Foto: iStock

Na sexta-feira à noite, recebi uma mensagem de uma amiga com quem eu não conversava havia uns dois anos. Falamos rapidamente ao telefone, eu expliquei que tinha um compromisso e precisava desligar — ela me propôs almoçarmos no domingo. Fomos a um restaurante peruano ótimo, eu me fartei de comer ceviche, a gente riu muito com as lembranças da vida toda. Até que  ela contou uma história que me despertou um interesse especial. Basicamente, o marido a liberou para traí-lo, quando soube que o "outro" era uma mulher.

A curiosidade me levou a entrevistá-la como se ela fosse um personagem de matéria (meus amigos dizem que isso sempre acontece, mas eu não reparo). Desta vez, não deu para evitar: a conversa virou pauta. Ela me disse que eu poderia contar a história em um post, mas pediu que preservasse sua identidade. Vou chamá-la, então, de Mariana. E o marido dela, de Alfredo.

Os dois estão casados há mais de 15 anos, têm dois filhos pré-adolescentes e uma vida muito confortável. O Alfredo tem 64, é filho de um industrial e sempre foi muito rico. Casou duas vezes antes. Mariana fez 44 no mês passado, é dona de casa (mas prefere dizer que é "psicóloga de formação") e sofre crises recorrentes de tédio. Apesar de agora se definir  como "de direita" e "conservadora", ela usa os dois termos como estivesse falando de uma grife de sapatos. Sua recente ligação com a política remete mais a um modismo do que a uma convicção ideológica —  pela superficialidade com que ela tenta defender seus posicionamentos. Nem seria importante citar isso, mas nesse caso, por incrível que pareça, o desgoverno da personagem ajuda a compreendê-la melhor.

Assim que Mariana falou da "traição consentida" (acordão), eu quis saber detalhes. Acostumada a contar sempre as mesmas histórias sobre sua vida doméstica, ela estava adorando me surpreender. Saboreou cada pergunta, fez suspense antes de respondê-las, mas acabou contando tudo. Segue…

Eu: Quem é a mulher? Eu conheço? Como foi?

Ela: Você conhece, mas eu não vou te dizer quem é…hahaha. (Dois piscos sours depois): É a Nanda*, bobão. A gente foi passar uma temporada "glúten free" em Big Sur (Califórnia), e rolou. Juro, foi totalmente sem querer. Nós ficamos hospedadas em um hotel que tinha uns chalés de tábuas corridas, cumeeira estilo cabana e varanda em balanço, no alto de um penhasco, com vista para o Pacífico. Aula de tai chi todo dia, ioga, paz & amor hahaa (pausa): você quer mesmo saber como foi? (mais um pisco sour). Bom, tinha duas piscinas, uma para quem quisesse nadar pelado. Um dia, em um fim de tarde morninho, por do sol incrível, a gente mergulhou para dar umas braçadas. Mas tipo pra nadar mesmo, sacanagem zero. Meia hora depois, nós estávamos de roupão na varanda do meu chalé, finalizando a segunda garrafa de um vinho biodinâmico maravilhoso, produzido nas Beckmen Vineyards, morrendo de rir. Aí, do nada, a gente começou a fazer carinho uma na outra. De bobeira mesmo. De repente, as duas estavam se beijando, meu, foi muito louco, que nem dois namoradinhos adolescentes, sabe? Eu não estava entendendo nada, mas nem queria entender. A Nanda foi mais ativa (depois ela me contou que já tinha experimentado mulher): eu só no alongamento, hahaha, me deixei levar total. Meu, foi sen-sa-cio-nal. Há muito tempo eu não gozava daquele jeito. Muuuito tempo. Depois, eu caí meio morta naqueles travesseiros de pluma de ganso, só fui acordar à noitão, feliz da vida. Tomei uma sopa de gengibre com mel e capotei. No dia seguinte, não rolou a mínima ressaca, arrependimento, vergonha, nada. Podia acontecer, né? Mas eu queria era mais. Bom, a gente está junto até hoje. O Ricardo* (marido da Nanda) ficou sabendo, tá tudo certo. É tipo um acordo mesmo.

Eu: Como alguém que no passado repudiava tanto a ideia de se envolver afetivamente com uma mulher ("Deus me livre! Que nojo!"), um belo dia se vê fazendo sexo com um "ser", como você dizia, "tão competitivo e mesquinho"?

Ela: Ah, meu amigo, cama. E tem o seguinte: a minha relação com a Nanda não tem grude, a gente não é sapatão, entendeu? A gente transa. Viaja de vez em quando, come nos melhores lugares, bebe vinhos maravilhosos, enfim, gasta o dinheiro dos dois trouxas hahaha Tadinhos… Tadinhos nada!

Eu: Levando-se em conta a fantasia de boa parte dos homens, de transar com duas mulheres ao mesmo tempo, até que ponto o Alfredo não "autorizou" a traição pensando em tirar uma lasquinha na cama? Aconteceu?

Ela:  A gente até pensou nisso, mas aí o Ricardo não achou graça de saber que a mulher dele transaria comigo e com o Alfredo. O Alfredo também não me liberou para transar com a Nanda e o Ricardo. A gente podia ter transado os quatro, né?, mas os dois "pinto mole" não queriam correr o risco de se tocar hahaha. Pior pra eles, né? Ficaram chupando dedo.

Eu: Será que a nova composição funcionou como uma espécie de "viagra natural" para o Alfredo? Vocês transam ainda, né?

Ela: Claro! O Alfredo me diz que, só de saber que eu transo com a Nanda, ele fica com tesão. E é verdade mesmo, eu sinto que ele deu uma bela melhorada da performance.

Eu: Você pensou em se separar?

Ela: E por que eu me separaria? O Alfredo é bom pai, me dá uma vida ótima, a gente se entende bem. Ele está com 64 anos, já não tem tanta disposição na cama para me satisfazer. Eu gosto de sexo. Pensa bem: ser trocado por outra mulher era a melhor coisa que poderia acontecer a ele nessa altura da vida.

Cafezinho

E, assim, o almoço se prolongou por mais de três horas. Às 17h, mesmo depois de tomar uns oito piscos, Mariana estava leve como uma pluma (de ganso). Deixei-a em casa com a sensação de que, como "conservadora de direita", ela se revelou uma excelente traidora.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

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