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Histórico

Show com ingresso de até R$ 500 tem membros da sociedade cantando por crianças carentes

Paulo Sampaio

18/05/2017 08h00

Maria Pia de Fátima, Edinho Veneziani, Lucia Faria e o filho de Pia, Roberto Ugolini (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

No hall do Teatro Alfa, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, os elegantes se congratulam por estar fazendo o bem. Homens de black tie e senhoras em longos bordados com paetês, encimadas por penteados imexíveis e ornadas com  joias coruscantes aguardam o início do Show de Talentos. O press release do evento informa que nomes importantes da sociedade paulistana vão cantar em um espetáculo beneficente com renda revertida para a Casa Mãe do Salvador, que atende 180 crianças em situação de risco e vulnerabilidade social. Os ingressos custavam entre R$ 100 a R$ 500.

Criadores da creche, Maricy e Romeu Trussardi são renomados industriais de roupa de cama, mesa e banho e tornaram-se conhecidos por criar uma prole de dez filhos e pela crença incondicional em Nossa Senhora da Imaculada Conceição e na Igreja Católica. Desde a primeira edição, nos anos 1970, o show é produzido por uma das filhas do casal, Maria Pia de Fátima, que na adolescência fazia trabalho voluntário: “Imagina o que era produzir esse espetáculo sozinha, com 15 anos”, diz ela na coxia do teatro, enquanto o costureiro Sandro Barros canta “Barracão de Zinco” (Vai barracão/Pendurado no morro/Pedindo socorro/A cidade a seus pés), imortalizada na voz de Elizeth Cardoso.

Todos os filhos dos Trussardi estão na plateia ou na coxia. Muito devota, Riccy Souza Aranha, mãe de Ciccy e avó de Missy, posa ao lado de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima: “É a padroeira da Pia. Está fazendo cem anos”, diz. Por sua vez, Nossa Senhora Aparecida, diz ela, está completando 300. Riccy explica que ela, a filha e a neta têm o mesmo nome, Maria da Conceição Aparecida, e que os apelidos diferentes foram dados para não causar confusão.

Riccy Souza Aranha, mãe de Ciccy e avó de Missy, posa ao lado de Nossa Senhora na coxia (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

Boa parte dos nomes importantes da sociedade, como Sandro Barros, escolheu músicas que fizessem alusão à população que vive em situação de risco e vulnerabilidade social, ou ao “momento difícil” que vive o Brasil. O administrador Edinho Veneziani, marido da socialite Helena Mottin, cantou “Desesperar Jamais”, de Ivan Lins: “O momento é desesperador, mas nós não vamos nos desesperar porque somos bra-si-lei-ros”, diz ele, ajeitando a gravata borboleta do smoking Salvatore Ferragamo.

“A Noviça Rebelde”

Philippe de Nicolay Rothschild, francês que se apresenta como barão, encenou com crianças da família um número de “A Noviça Rebelde”.  Encarnou o capitão Von Trapp.

Philippe de Nicolay Rothschild,(capitão Von Trapp) com Gloria Severiano Ribeiro, filha mais velha de Maricy (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

Alguém lembra que naquele dia comemoram-se os aniversários de Detinho Souza Aranha e Rubinho Zogbi. As duas crianças são referidas assim, com nome e sobrenome.

Muitos dos intérpretes escolheram clássicos americanos. “If I Ain’t Got To” (Alicia Keys); “Bohemian Rhapsody” (Queen); “For Once in My Life” (Steve Wonder); “You’ll Never Find” (Lou Rawls); “New York, New York”, eternizada na voz de Liza Minnelli, entre outros. Destaque para a presença de Ana Silvia, neta do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que foi condenado por crime de lavagem de dinheiro em território francês e, desde então, não pode sair do Brasil. Ela cantou “You Raise me Up” (Josh Groban).

Ana Silvia Maluf com o pai, Otavio  (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

Dançarinos bem ensaiados faziam pendant com cadeiras, sentando-se de frente para o espaldar, jogando as pernas para o alto e cruzando em movimentos circulares. Quando o número pedia, a produção soltava jatos de gelo seco.

“Deus me livre”

Bruno Rudge, conhecido por sua paixão pelo cancioneiro sertanejo, interpretou “Deus me Livre”(Raça Negra). Neto de Maricy e Romeu, ele foi chamado ao palco por sua irmã famosa, Maria Imaculada da Penha, vulgo Lalá Rudge, que filmou toda a apresentação com o celular. Bruno é praticamente um trending topic serial: toda vez que posta uma de suas apresentações, viraliza.

Bruno Rudge interpreta “Deus me Livre” (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

Como tudo era perdoável, até por respeito a Nossa Senhora de Fátima, os participantes do Show de Talentos se sentiram bastante à vontade para soltar a voz. Quando a emoção era muita, e as cordas vocais não a alcançavam, o custo para ouvidos sensíveis entrava na conta da parte beneficente do show.

Muito emocionada, Maria Pia de Fátima agradeceu a presença de todos, cantou “Ave Maria” e foi muito aplaudida.  Dois contrarregras adentraram o palco com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, ao mesmo tempo em que os intérpretes subiam para a confraternização. Em volta da imagem, todos cantaram “A Montanha”, de Roberto Carlos (Mais uma vez/Obrigado, Senhor, por outro dia/Obrigado, Senhor, que o sol nasceu/Obrigado, Senhor, agradeço, obrigado, Senhor). A cada “obrigado senhor”, Pia agradecia a colaboração de um nome importante da sociedade paulistana, que se dispôs dadivosamente a cantar.

Maria Pia de Fátima com a imagem de Nossa Senhora e a família, no palco do Teatro Alfa, ao fim do show (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

Sobre o autor

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

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