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Paulo Sampaio

Zulu: "Não quero ninguém comigo só porque tenho um membro diferenciado"

Paulo Sampaio

29/09/2017 07h00

Inacreditáveis 53 anos, depois de comer muita folha da própria horta (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

Paulo Zulu diz que é "muito conservador". "Eu sou careta, tenho esse problema." Surfista, modelo e empresário, ele faz questão de frisar que possui hábitos espartanos, come verduras que planta na própria horta e serve nas refeições da família peixes que ele mesmo pesca.  Dono de uma pousada na aldeia Guarda do Embau, a 40 km de Florianópolis, Zulu criou para si a imagem do natureba recluso, conservado em maresia. Talvez por isso, quando o selfie de um nu frontal dele viralizou na rede, em setembro do ano passado, seu marketing tenha ganhado outra dimensão.  "Olha o tamanho disso!", postavam os internautas em seu Instagram. "Eu quero!", escreviam. "Nota dez!"

O selfie polêmico: "O instagram tava espelhado." (Foto: Reprodução)

A imagem mostra Zulu inteiramente nu, em frente ao espelho de um banheiro. "Fiz a foto e fui pro banho, irmão. Viralizou enquanto eu estava no chuveiro", diz. Ao contrário do que ocorreria com grande parte dos homens, Paulo Zulu não se orgulhou do retorno das fãs. "Eu só chorava. Entrei em depressão profunda (de duas semanas)."

Zulu estava saindo de um casamento de 23 anos com a modelo Cassiana Mallmann, mãe de seus dois filhos, e por isso especulou-se na mídia especializada que ele havia feito a foto para postar nos aplicativos de busca de "relacionamento". "Você acha que eu preciso disso?" Os internautas precisam: "Minha segunda-feira teve outra perspectiva", postaram. Ele não acha graça. Sustenta que fez a foto para ver como estava seu corpo antes de desfilar para uma marca de sungas. Tinha dúvidas.

Na ocasião, Zulu publicou no aplicativo um "pedido de desculpas", onde admitiu a eventualidade de um "vacilo" dele: "Fui à delegacia especializada em crimes virtuais no Rio de Janeiro e, após conversar com a delegada e um perito, cheguei à conclusão que havia a hipótese de eu mesmo, por engano ou vacilo, ter postado a foto." Hoje, ele acredita na possibilidade de seu Instagram ter sido "espelhado" por um hacker que teve acesso às fotos.

"Eu não sou Maria"

Nascido em 1964 no Rio de Janeiro, Paulo César Fahlbusch Pires descende de alemão, negro e português. É assim que ele explica seu colorido exótico. Tem uma irmã mais velha e três irmãos por parte de pai. Pretendia estudar biologia marinha, mas o destino o levou para o esporte e as passarelas.  O apelido veio quando ele passou a pegar onda profissionalmente e viajou com um grupo de surfistas para Florianópolis. "Sofri bullying por causa do meu lado africano", acredita. "Os caras que estavam na casa falavam: 'Vai varrer o barraco, Zulu'. Eu dizia que as tarefas tinham de ser distribuídas. Não sou Maria!"

Durante a temporada al mare, o peixão foi descoberto por um olheiro fashion e acabou se tornando um dos modelos masculinos mais requisitados do mundo. Nos anos 1980, Giorgio Armani, Valentino, Versace, Donna Karan, Jean Paul Gaultier, Issey Miyaki, todos o desejavam em suas campanhas. "Eu fazia editorial de moda, publicidade, desfile…passei quatro anos em Paris, um em Nova York", lembra.

Convidado em 2000 para participar da novela "Laços de Família", de Manuel Carlos, fazendo papel dele mesmo, Zulu topou na hora. "Foi uma oportunidade de ouro. Se tu é convidado para trabalhar numa novela, te pagam bem e tu consegue fazer o papel na boa, tu não vai?"

Ele diz que não sofreu preconceito por parte dos atores shakespearianos da Globo, que nem sempre reagem bem à presença de modelos no set. "Eu cheguei na maior humildade, ficava olhando a Marieta Severo, o José Mayer, o Tony Ramos, irmão, tinha o maior respeito pelo trabalho deles. E se alguém me perguntasse o que eu estava fazendo ali, eu diria que o mesmo que eles fazem na publicidade. Eu tinha acabado de voltar da Europa, me viram na passarela da semana de moda e me chamaram. Eu não tinha do que me envergonhar. Queria só ganhar meu dinheiro."

Propaganda de sunga. Corpo à prova de selfie (Foto: Divulgação)

Reality show, não

Hoje, além de tocar a pousada, ele faz fotos e desfila para grifes não tão renomadas, dá cursos de defesa pessoal para mulheres e, apesar do desapego de pescador, aceita os mais variados convites –  menos para posar pelado (quando não é antes de desfile de sunga) e participar de reality show.  "Não tirando minha dignidade, não tendo de agredir ninguém e me oferecendo uma boa remuneração, faço feliz", diz.

Será que ele perdeu alguma campanha por causa do selfie no banheiro?

Sim, algumas. Exemplo? "A Dudalina cancelou um trabalho." (Dudalina é uma das marcas de camisa favoritas do prefeito João Dória, que acorda às 5 da manhã para treinar e tem muito orgulho do próprio preparo físico, mas talvez não fizesse tanto sucesso em um selfie de nu frontal). Por sua vez,  o dono de uma marca de óculos que considerava Zulu um tanto rústico para usar os modelos de sol, mudou de ideia. "Ele passou a me ver como uma pessoa arrojada." Não só ele.

Sexo pelo sexo

Apesar do corpo à prova de nudes, o surfista de 53 anos, 1,86m de altura, 82kg de peso não gosta de ser encarado como objeto sexual. Diz que, a princípio, não transa só por transar. Porém: "estando solteiro, de bobeira, por que não?" O problema é que, nessas circunstâncias, quando o sexo termina, ele diz que não enxerga uma pessoa ao seu lado, só vê um corpo. Parece coisa de quem assistiu a muito filme de serial killer, mas não. Ele explica: "Uma coisa é ter tesão. Outra é olhar no olho, com sentimento…O corpo reage, entende?" Resta saber se as fãs de Zulu querem olhar no olho dele, com todo aquele resto dando sopa. Ele desabafa: "Não quero que ninguém fique comigo porque tenho um membro diferenciado."

Em novembro de 2016, apareceu na vida de Zulu uma moça que afirma ter tido acesso ao "ser humano que mora ali". A felizarda ganhadora de um olho no olho (com sentimento) chama-se Elaine, tem 30 anos e mora perto da Guarda do Embau. Conta que o conheceu quando uma amiga que é fã  de Zulu pediu pra fazer uma foto com ele. Dias depois, Elaine voltou à cidade e os dois se encontraram três vezes no mesmo lugar. "Um lindo acaso", lembra ela, seguindo um pouco a linha de Kate Middleton.

Houve troca de contatos (telefônicos), eles marcaram um encontro mais alentado, ela se encantou. "Não consegui mais ficar longe dele. Tenho muita admiração pelo pai, pelo homem, pelo namorado maravilhoso. Eu me considero uma mulher de sorte." Benzadeus.

 

 

 

 

 

 

Sobre o autor

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.