Blog do Paulo Sampaio

Histórico

Após desilusão com noiva, terapeuta ganha 35k e vira símbolo sexual urso

Paulo Sampaio

01/11/2017 09h00

Abandonado pela noiva sem que ela dissesse adeus ou deixasse qualquer vestígio de seu paradeiro, o massoterapeuta Hebert Setin mergulhou em uma depressão profunda, passou a preencher o vazio existencial comendo “tudo o que via pela frente” e engordou 35 kg. “Foi um período muito difícil”, lembra ele, que estava com a moça havia três anos e meio.

Porém no fim, Hebert otimizou os quilos a mais e conseguiu reverter o mau momento em seu favor. O novo shape acabou dando a ele o cobiçoso status de símbolo sexual “urso”, como é chamado na comunidade gay o exemplar gordo e cabeludo. Aos 28 anos e 125 kg, diz que nunca foi tão assediado.

Leão e urso tatuados (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

Homofóbico, mas nem tanto

Não que ele tivesse ido atrás. As coisas foram acontecendo. Hebert conta que a princípio era homofóbico, mas então um primo de quem era muito próximo saiu do armário. “Quando ele me disse que era gay, perdi o chão. Levantei da cadeira e fui embora”, lembra.

Entretanto, aquela informação permaneceu martelando sua cabeça durante toda a noite. No dia seguinte, resolveu dizer ao primo que tentaria vencer o preconceito. “Eu já era urso e não sabia”, conta.

Ao mesmo tempo, foi abordado duas vezes na rua por olheiros da agência Bear Models, especializada na categoria “ursina”. Seu diferencial era a barba ruiva. “Na primeira vez, eu achei que fosse palhaçada, nem prestei atenção. Da segunda, resolvi saber como seria o trabalho. O cara me explicou que eu teria de fazer um ensaio fotográfico e um desfile para uma marca de roupa (‘ursa’) em uma balada.” Ele topou.

Não, bem, quer dizer..

Aí, veio o convite para posar pelado em uma revista “voltada para a comunidade”. “Disse logo de cara que não tinha nenhum interesse”, lembra Hebert. “Nu eu não posaria. Se eles quisessem, até poderia fazer umas fotos mais comportadas, desde que eu pudesse falar do meu trabalho. Eles disseram que não topavam, eu virei as costas e fui embora.”

Os produtores insistiram, acabaram concordando que Hebert se apresentasse como massoterapeuta. Ele aceitou. Nas fotos mais ousadas, posou vestindo apenas um jockstrap, como é chamada a cueca que protege basicamente a parte da frente da anatomia masculina — mantendo a de trás praticamente ao léu. Orgulhoso, Hebert Setin diz que a edição 89 da revista, de agosto de 2015, vendeu 15.000.  “Pela primeira vez, teve gente de fora do Brasil que comprou”, comemora o massoterapeuta, que está noivo de novo há dois meses.

Urso evoluído

Pra o fundador da revista, Marcelo Gomes de Andrade, Hebert é um autêntico bear. Ele explica que nos Estados Unidos, onde surgiu o correspondente humano da espécie ursus arctos meigus, o adepto da filosofia é mais identificado com a figura do animal — gordo e cabeludo —  e que os derivativos como “muscle bear” muitas vezes não passam de apropriações de “barbies que deixaram o pêlo crescer”. Atenção.

“O Hebert é bem mais evoluído que muitos ursos daqui”, explica  Andrade. “Como eu, ele vê a necessidade de um meio de comunicação para mostrar que podemos desenvolver este trabalho no país.”

Segundo Andrade, além do comprometimento profissional, “Hebert conquista com seu olhar e carisma, que eu raramente vejo nos ursos no Brasil”.  Até porque aqui não se tem muita notícia de ursos fora do zoológico. O que, aliás, só faz valorizar ainda mais o passe de Hebert: “Ele tem algo que chama atenção, uma sensualidade…”

Urso de couro

E então, veio o Mr Leather 2017, concurso no qual Hebert Setin ficou em quinto lugar entre finalistas de todo o país. “Admiro muito a coragem do Hebert de se expor. Estamos numa época em que padrões de academia massacram nossa autoestima. Pessoas como ele inspiram outras a se amar e ter autoconfiança”, diz Dan Barroso, da Eagle, casa noturna que promoveu o concurso. A palavra leather é utilizada por entusiastas do couro na hora da transa. Está mais associada ao sadomasoquismo do que à prática ursina, embora não sejam categorias excludentes.

Hebert, por exemplo, é urso e usa adereços leather. Entre outros, o harness (espécie de “arreio” que envolve o tórax, composto por cintos de couro interligados por argolas de metal); coturno, colete de couro e faixa no braço esquerdo, que na linguagem dos leather significa “dominador”. Leão tatuado no braço, referência ao próprio signo; um urso no antebraço; piercings nos mamilos, na língua e um colar com um anel pendurado — também um sinal dominação.

Mas a essa altura, Hebert Setin já era uma consagração ursina assediada por gregos e troianos.  Recebeu convite para morar fora “com tudo pago” e para fazer filme pornô. “Não e não”, disse ele nas duas vezes. Mas o melhor “não”  foi o que ele deu para um médico urso que propôs submetê-lo à cirurgia bariátrica. De graça. Agora!? Nem pensar! Xô inveja.

Na semana que vem, Hebert aparece no videoclipe de um cantor famoso — cujo nome ele não pode adiantar porque o trabalho ainda não foi divulgado.  Convidado para prestigiar o 1º Encontro Ursos Naturistas, em dezembro, em um rincão entre o Rio e São Paulo, ele pensa se vai. Agora é assim.

 

 

Sobre o autor

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

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