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Blog do Paulo Sampaio

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Chef famosa de SP mostra dedo do meio contra Bolsonaro e gera rebu na elite

Paulo Sampaio

09/10/2018 05h00

A chef de cozinha Helena Rizzo, do estrelado restaurante Maní, em São Paulo, causou fúria em muitos de seus seguidores no aplicativo Instagram, ao postar no sábado uma foto em que aparece com sua equipe, mostrando o dedo do meio, acima das hashtags #elenão, #elenunca, #elejamais, #elenemfodendo, num gesto de repúdio ao candidato à presidência da República Jair Bolsonaro, do PSL, que no dia 28 disputa o segundo turno da eleição com Fernando Haddad, do PT.

Alguns seguidores mostraram-se ofendidos, outros foram grosseiros nos comentários. Houve quem ameaçasse não pisar mais no restaurante, que em 2016 foi eleito pela prestigiosa revista inglesa Restaurant o 46º melhor do mundo. O menu degustação ali sai por R$ 430, ou, com harmonização de vinhos, R$ 730. "Eu ERA sua cliente", afirma um representante da Agenda Black, grupo fechado para troca de dicas que vão de manicure ao melhor lugar para se hospedar em Paris ou Gstaad, na Suíça.

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Apesar de ter recebido alguns comentários positivos, até com o emoji de "palmas" ("Helena, amo seu restaurante, sua cozinha, sua força"), a maioria reagiu negativamente. Os protestos foram de "Maní nunca mais", até  "vai ser difícil consertar essa cagada", além de ofensas pessoais, como "Picareta". Embora Helena não tenha citado seu voto no segundo turno — além do adversário de Bolsonaro, ela pode escolher branco ou anular -, houve quem associasse o gesto dela ao PT: "Vá pra Cuba ou Venezuela vender seu polvilho!"

 

 

Diante da repercussão, Helena decidiu postar uma nota de esclarecimento:

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

Escrevo este post em razão dos desdobramentos que minha postagem no último sábado geraram. Primeiramente, peço desculpas a qualquer pessoa que tenha se ofendido com o meu gesto, ele não foi direcionado a você. Meu gesto é uma manifestação contra o preconceito, o machismo, o racismo, a homofobia e a misoginia. Reforço também que ele foi pessoal e expressa tão somente a minha convicção, e não a do Grupo Maní. Sou cozinheira há 23 anos, 13 dos quais no Maní, e nunca julguei ou escolhi cliente. Pelo contrário: diariamente cozinho para os outros, com empenho absoluto, exigindo o máximo de mim, dos cozinheiros e fornecedores que trabalham comigo. Sou feliz com o ambiente que criamos. O Maní é uma das cozinhas mais diversas que conheço, com brancos, negros, homens e mulheres, héteros e gays, gente do Brasil inteiro. Eles são minha família, pois é com eles que passo a maior parte do tempo. Assistir a um movimento crescente de intolerância que atinge boa parte dos meus colegas de cozinha me deixa extremamente consternada. Em nenhum momento manifestei posição partidária, não sou comunista nem socialista. Sou uma pessoa que vê o futuro dos meus pares ameaçado. E isso, espero que entendam, é difícil demais aceitar.

Uma publicação compartilhada por Helena Rizzo (@helenarizzo) em

Houve quem reagisse ainda pior ao esclarecimento: "Absurdo total o post de antes, e piorou agora".

 

Procurada pelo blog, Helena Rizzo disse por intermédio de sua assessoria que não quer se manifestar.

Sobre o autor

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.