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Histórico

Paquita Miuxa lança biografia: 'Escrever livro é muito difícil', desabafa

Paulo Sampaio

16/10/2019 04h00

Catia Paganote, 43 anos, também conhecida como paquita Miuxa, garante que "agora tá tudo certo" para o lançamento de sua biografia, anunciada por ela própria em fevereiro, para sair em março: "Escrever livro é muito difícil", desabafa. Apesar do esforço para concluir a obra, que agora deve sair em novembro, ela afirma que "Minha Vida é Um Show" ficou "dinâmico, rápido de ler".

Segundo Catia, valeu a pena "fazer uma nova leitura, consertar algumas coisas". "Conto a história da minha vida desde que minha família se mudou para Brasília, eu tinha 3 anos de idade, passando pela minha entrada no mundo artístico, ainda bem pequena, como modelo, e vou até a Fazenda (10a. edição do reality show da Record)", diz ela, que nasceu no Rio. Sua família transferiu-se para a capital federal no fim dos anos 1970, atrás de novas oportunidades.

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Por enquanto, Catia preferiu mandar só a capa do livro (Foto: Reprodução/UOL)

Vereadora e deputada

Até hoje, Catia refere-se ao seu ingresso no Xou da Xuxa como um ritual monástico: "Em 27 de abril de 1989 eu me tornei paquita", conta ela. Ficou até 1995, quando tinha 19 anos. Dali em diante, ela sobreviveu basicamente do que sobrou de Miuxa. A tentativa de se lançar como "loura do pagode" e, depois, vereadora e deputada estadual (pelo Partido Verde, MDB e PTB), não vingou. "Culpa da minha carreira."

O fato de se vestir com o figurino de mais de 20 anos atrás e de repetir o repertório da época (Balão Mágico, Trem da Alegria, Lua de Cristal etc) em casamentos, batizados, bailes de debutantes, aniversários de crianças em praças de alimentação e festas particulares para adultos não a deixam nostálgica, garante, mas a enchem de orgulho.

"É o que eu gostava, o que tinha prazer de fazer e o que eu tenho até hoje: subir num palco e me apresentar vestida de paquita pros baixinhos que foram meu público naquela época. Quando eles pedem para cantar as músicas, e batem palmas, acontece uma troca de energia que me deixa arrepiada!"

Paquita Miuxa na época do Xou da Xuxa, e hoje (Foto: Arquivo Pessoal/UOL)

Pegando celebridades

Nas entrevistas que deu em fevereiro, quando falou pela primeira vez que estava lançando a biografia, Catia afirmou que falaria de famosos, "mas nada ofensivo". "Não quero confusão na minha vida, mas vou dar pistas, e as pessoas podem até descobrir de qual celebridade estou falando. Eu quero evitar processos. Tive muitos namoricos e 'peguei' muitos famosos: ator, jogador de futebol, deputado, empresário, nadador, sertanejo e pagodeiro", disse ela ao UOL. 

Mãe de Valentina, 9 anos, ela conta que a menina não é filha de nenhum de seus três maridos oficiais, mas de "um amigo". "Ela é minha parceira, minha luz, a minha força de viver." Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Universa — Você deu entrevistas falando pela primeira vez do lançamento da biografia em fevereiro. É a mesma?

Catia Paganote — Eu ia lançar naquela época, mas não deu tempo, a gente teve de rever, fazer uma nova leitura, consertar algumas coisas. Logo depois pintou o Dancing (Brasil, reality show apresentado por Xuxa na Record), eu tive que dar atenção ao programa. Livro não é fácil fazer, livro é difícil.

Universa — Na ocasião, você falou que um dos capítulos mais polêmicos é o que você conta seus casos com famosos. Pode adiantar algum?

Catia — Não tem nada disso, não. Como eu tenho um leque gigante de conhecimento, falo que, além de pessoas comuns, já fiquei com famosos. O meu livro não é polêmico. É a história da minha vida, com as partes importantes.

Universa — Li que você fala do casamento com o Djair. Cita a confusão com a Cristina Mortágua, que foi mulher dele depois de você?

Catia — Falo sim do casamento com o Djair, onde eu fui casada 13 anos, uma história muito bonita, porque foi meu primeiro namorado, o primeiro homem da minha vida, onde eu fui muito apaixonada, onde eu amei muito. Essa história é contada com muitas partes engraçadas, mas eu não bato palma para maluco.

Universa — Você continuou se apresentando como paquita.

Catia — Sim, no último sábado estivemos na festa Ploc (no Circo Voador, Rio), que já tem uns 14 anos. No começo, éramos quatro paquitas. Eu, a Priscila Couto (Catuxita); a Roberta Cipriani (Xiquitita) e a Ana Paula Almeida (Pituxita). Como a gente recebeu vários outros convites, continuamos na estrada fazendo esse reencontro.

Universa — Mais tarde, você passou a se apresentar apenas com a Catuxita. Como é o show?

Catia — Depende do que a pessoa tá querendo. Pode ser um show, uma presença VIP, ou algo menor, dentro de uma apresentação coletiva, como a Ploc.

Universa — Qual o tempo de show?

Catia — Então, depende. Se for só uma presença, é menor, três músicas, ou quantas a pessoa quiser. Se for o show completo, leva uma hora e meia.

Universa — E o repertório?

Catia — Músicas da Xuxa e das paquitas. Trem da Alegria, Balão Mágico, é mesclado, puxando o lado infantil. A gente faz um misuncê (mise-en-scène: em francês, desenho de palco) bem bonito, bem legal, dança a coreografia da época. É o máximo ver os olhos da pessoas brilharem quando a gente canta Lua de Cristal, o Ilariê, isso que nos move.

No show depois do Xou: "E agora, todo mundo canta!" (Foto: Arquivo Pessoal/UOl)

Universa — Alguns especialistas afirmam que expor crianças desde pequenas na TV pode marcá-las para sempre. Acha que isso aconteceu com você?

Catia —  Não. Cada criança, cada indivíduo, já nasce com um dom. É a sensibilidade do adulto que está próximo que vai perceber isso.  Cabe a ele ver o que pode ser insistido. No meu caso, não há sequela porque minha mãe percebeu que eu tinha o dom, e eu segui na carreira, que foi uma coisa bem natural. Eu estava com dez anos quando comecei a fazer teste para o Xou da Xuxa, e onze quando eu entrei. Eu já trabalhava com isso, então não era novidade.

Universa — O  fato de ser paquita até hoje não seria um tipo de sequela?

Catia — Não, porque é saudável. É o que eu mais gosto e tenho prazer até hoje: subir num palco e fazer um show vestida de paquita pros baixinhos que foram meu público naquela época é felicidade pura. Essa energia do povo gritando seu nome, respondendo ao seu chamado: "E agora, canta, todo mundo canta! Vamo bater palma!" Independente de quantos shows eu faça, quantos anos eu faça, cada público é um público. Quando a pessoa se emociona ao cantar uma música que eu já cantei, nossa, me dá vontade de nunca mais sair dali.

Universa — Como é a sua relação com Xuxa?

Catia — Normal, a gente não tem mais muita convivência, mais agora no Dancing, mas coisa de artista, de bastidor. Nos temos um grupo de whapp, estamos sempre trocando informações, mas não é como antigamente, que era superpresente. Até porque cada um segue a sua estrada. Não é um contato hiperamigas, hiperpresente, mas de apoio, de amizade antiga, pode comentar, falar, dar opinião sincera.

 

Com o queixo apoiado no ombro de Letícia Spiller, Miuxa posa com as paquitas para a divulgação do filme "Lua de Cristal", de 1990 (Foto: Arquivo Pessoal/Facebook)

Universa — Você incentivaria sua filha a ser paquita, caso o programa ainda existisse?

Catia — Pelo que eu conheço da minha filha, ela não seria paquita. A Valentina tem uma personalidade muito forte, tem opinião formada sobre as coisas. Eu não sou de impor nada, eu sou de mostrar. Quer, eu ajudo; não quer, vamos prosseguir para alguma coisa que dê prazer.

Universa — O pai dela é algum dos seus ex-maridos?

Catia — Não, é um amigo. Ele é presente quando pode. Valentina ama o pai. Ele ajuda, com certeza, na parte financeira, que é o dever dele, mas como não mora aqui no Rio, não se vêem com tanta frequência.

Universa —  Você chegou a investir na carreira de "loura do pagode".

Catia — Sim. A (empresária) Marlene (Mattos) teve a ideia de me lançar, com CD. Esse capítulo tá no livro, a produção era do Michael Sullivan. Foi uma fase divertida, de aprendizado, de crescimento, onde eu tava amadurecendo o que eu estava querendo ser na vida. Eu deixando de ser Paquita, de viver naquele mundo superfantástico. Foi um trabalho bem rápido, de um ano e meio, logo depois casei com o Djair, resolvi viver a vida dele, sendo esposa e blábláblá, cuidando da casa, viajando com ele, dando toda a atenção que ele precisava. Não me arrependo.

Universa — Também houve uma tentativa de ser vereadora, depois deputada estadual, pelo Partido Verde, o MDB e o PTB. Qual era a sua plataforma de governo?

Catia — Era direcionada à mãe que é provedora do lar, cuida do seu filho, da casa e trabalha. Fiz curso de política pela Fundação Getúlio Vargas, mas infelizmente não deu certo. Foi curta a minha carreira.

Apesar de se candidatar a dois cargos, por três partidos, a carreira política não vingou (Foto: Arquivo Pessoal)

Universa — Em 2002, você posou nua para a capa da revista Sexy. 

Catia —  Posei por causa do dinheiro. Na época muitas artistas faziam, o meu foi um trabalho muito bonito. Eu escolhi as fotos, tudo que saiu foi sempre com o meu aval. Eu queria uma coisa legal que, até futuramente, se minha filha quisesse ver, meu pai, primos, não fosse vulgar, mas um nu artístico bem bacana.

Na capa da revista Sexy, em 2002: nu artístico (Foto: Reprodução)

Universa — Posaria de novo hoje?

Catia — Hoje não tem mais essa coisa do glamour, mas, se me convidassem novamente, eu faria por causa do dinheiro.

Universa — Você está namorando?

Catia — Eu não, gente, tô solteira. Procurando meu quarto casamento, mas não tá fácil encontrar.

Universa — Se arrepende de alguma coisa?

Catia — Não. Tudo o que eu quis fazer, fiz. Eu sou muito impulsiva, e quando coloco uma ideia na cabeça, eu não fico sossegada enquanto não acontece. De coisas feitas, nenhum arrependimento, das que eu não tive vontade de fazer, não é arrependimento.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

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